83% dos brasileiros dizem-se descrentes com a democracia

Pesquisa realizada pelo Pew Research Center e publicada este ano diz que insatisfação estende-se a mais 26 países. Gabinete do Plácido na Rua leva proposta de cidadania a bairros de Fortaleza

A matriz política brasileira ainda lida de maneira rasa com a democracia representativa, constata estudo. Levantamento realizado entre maio e agosto de 2018 e divulgado este ano pelo Pew Research Center, entidade norte-americana de pesquisa, aponta que 51% da população de 27 países está insatisfeita com o funcionamento da democracia. Os números compilados pelo instituto mostram que, no Brasil, o índice chega a 83%.

Economia, política, sociedade e segurança foram os aspectos norteadores da enquete. O cerceamento de direitos individuais e a falta de preocupação por parte dos ocupantes de cargos eletivos para com as demandas da sociedade são explicações apontadas por aqueles que se disseram descontentes. A ideia de que a participação popular é atributo distante da articulação política e de que as pautas de um mandato não precisam ser construídas com acenos sociais, mostram as conclusões do relatório, é um raciocínio majoritário na prática política mundial.

A prova disso é o ceticismo popular com aqueles que, por lei, são seus representantes. Os mecanismos de participação social, contudo, estão postos. Para além do plebiscito e do referendo, ambos instituídos pela Constituição Federal de 1988, e da ação popular, regulamentada pela lei federal 4717/65, as redes sociais são essenciais para que seja rompida uma barreira entre sociedade, parlamentares, prefeitos, governadores e presidente da república.

Sociólogo e mestrando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Erich Soares explica que, desde a luta pela redemocratização, o Brasil experimenta mobilizações sociais de rua e fortalecimento de outros métodos de organização política, partidária, sindical ou não-governamental. “Ao final dos anos 90, com o marco da internet, foi iniciada uma nova era comunicacional, distendida sobretudo com o advento e popularização das redes sociais dos anos 2010”, justifica.

Outro meio de diminuição dessas barreiras, o conceito de Gabinete Aberto é também instrumento de participação política. Iniciativa que visita diversos bairros de Fortaleza para que o vereador Plácido Filho converse com a população, o gabinete do Plácido na Rua é um difusor da estratégia. Durante a ação que ocorre desde 2017 e já visitou Granja Lisboa, Granja Portugal, Conjunto Esperança, Aracapé, Serviluz, Serrinha, entre outros, o parlamentar coleta solicitações de moradores para encaminhá-las aos Executivos municipal ou estadual.

“Estamos vivendo novos tempos na política. A sociedade não quer mais ficar a mercê do que seus representantes escolhem unilateralmente para realizar nas cidades, nos estados, no país. Ela quer dizer o que seu bairro e sua comunidade precisam para ter um cotidiano melhor”, argumenta Plácido. As edições do Gabinete do Plácido na Rua são divulgadas nas redes sociais do vereador. A população pode entrar em contato via Facebook, Instagram e WhatsApp para requerer a ação em seu bairro.

Foto: Wendeson Cruz / Divulgação.

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